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Água no jardim: saiba o que é tendência em irrigação para baixo consumo de água

Uso racional da água é o que mais se fala hoje.  A água é um recurso limitado e por isto precioso, não podemos desperdiçá-la. Para falar sobre o uso racional da água na irrigação do jardim, de hortas, de pomares e do gramado, entrevistei o engenheiro agrícola Rubem Voges, parceiro da Rain Bird, reconhecida marca de produtos para irrigação de paisagismo e áreas esportivas.

Aspersor de irrigação do tipo Spray – Divulgação Rain Bird

 1. O que é tendência hoje em irrigação de jardins?

O lema hoje é “Uso Racional da Água” e é isto que se busca hoje na irrigação. Mas o uso racional da água não se resume no reaproveitamento das águas de chuva ou de estações de tratamento. Vai muito além. Os clientes já reconhecem que a responsabilidade com a utilização da água requer projetos bem feitos, equipamentos adequados ao paisagismo, instalação com profissionais especializados, e uma assistência técnica capacitada. Em relação aos equipamentos, se busca cada vez mais os que têm maior eficiência na aplicação de água no solo. Aí se destacam os modernos tubos gotejadores para uso enterrado. Com estes equipamentos, o aproveitamento da água é de quase 100%, desde que projetados e instalados adequadamente.

XFS Tubo Gotejador Enterrado
Tubo de gotejador enterrado- economia de água – Divulgação Rain Bird

2. Se a pessoa não tem tempo para molhar o jardim, o que indicas?

100% dos sistemas projetados e implantados nos últimos anos foram automatizados. Ou seja, o sistema funciona independentemente, de acordo com a programação mais adequada para o jardim. E os sistemas podem irrigar automaticamente desde apenas um vaso com plantas, até um campo de golfe. Logicamente que cada um com sua complexidade.

HE Van Spray
Spray para irrigação – Divulgação Rain Bird

3. E quando a pessoa sai de férias, como sugeres fazer para irrigar o jardim?

Para um pequeno grupo de vasos ou floreiras, existem Kits portáteis de irrigação, mas que ainda não são fáceis de encontrar no Brasil.  Para jardins maiores, os sistemas automatizados dão total segurança de que o jardim estará adequadamente provido de água nestes períodos. Os sensores de chuva e de umidade de solo suspendem a irrigação quando ela não é necessária.

Irrigação com rotores para áreas grandes – Divulgação Rain Bird

4.  O que sugeres para alguém que está começando uma casa ou apartamento para fazer na obra para depois poder irrigar o jardim ou a sacada?

No projeto da residência ou no início da obra, temos que pensar na infra estrutura para o sistema de irrigação. Mas nada muito complicado. A consulta a uma empresa com engenheiros especialistas em irrigação de paisagismo resolverá questões como: passagens em pisos, volume e local do reservatório de água (se necessário), volume livre no reservatório para coleta de água de chuva, local para a motobomba, etc… O sistema de irrigação propriamente dito, só poderá ser projetado e orçado depois da definição do projeto paisagístico. Mas é importante que o profissional de irrigação esteja sempre informado sobre andamento da obra e suas alterações.
Para sacadas e terraços é necessário um ou mais pontos de água, dependendo do tamanho da área.

Gotejador
Gotejador – Divulgação Rain Bird

5.  O que é um fator limitador quando se quer instalar irrigação automatizada no jardim?

Os melhores fabricantes de equipamentos de irrigação, possibilitam aos profissionais da área, oferecer soluções quase ilimitadas em irrigação.
O importante é cliente e profissional de irrigação conciliarem um projeto tecnicamente perfeito, economizando água, e economicamente viável. Lembrando que um projeto de irrigação não deve ser avaliado exclusivamente pelo valor do investimento inicial. Não existe norma brasileira para irrigação de paisagismo. Utilizamos, então, as normas da ASAE-American Society of Agricultural Engineers- que orienta e fiscaliza os projetos e implantação dos sistemas de irrigação nos Estados Unidos, origem dos principais fabricantes dos produtos. Um projeto “barato” pode ser resultado de utilização de menos equipamentos do que o necessário, acarretando um consumo maior de água e energia, além de necessitar complementação da irrigação com mangueiras. Um custo “eterno” para o cliente, que ele descobrirá somente depois do sistema instalado.

RWS irrigador de Raizes
Irrigador de raízes -Divulgação Rain Bird

Qual a quantidade e frequência que devemos molhar as plantas?

Plante pitangueira e tenha pitanga em casa

Hortas e temperos

 

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Qual a frequência e a quantidade de água que as plantas precisam?

As pessoas sempre me perguntam quanta água as plantas precisam. E com que frequência regar.  Não existe uma fórmula pronta para isto. A gente aprende observando as plantas que cuidamos no dia a dia. As folhagens,  através das suas folhas, nos avisam quando estão precisando de água. As folhas começam a ficar “para baixo, caídas”. Basta molharmos que as folhas se recuperam, ficam viçosas e eretas novamente. Vou dar algumas dicas para voce saber a frequência e a quantidade de água que as suas plantas precisam.

Quanto aguar as plantas? foto: Pixabay

Primeiramente, cada espécie de planta tem uma necessidade específica de água. Algumas precisam estar com o solo sempre umedecido, outras gostam do solo mais seco. E outras preferem o solo sempre encharcado. O segredo está em observar e pesquisar a origem da planta: se ela é do deserto, gosta de solo seco. Se é uma planta cujo habitat natural é a floresta tropical, então ela gosta de calor e umidade. As suculentas gostam de pouca água. As orquídeas gostam que borrifem uma neblina criando umidade na volta delas. Não existe uma regra geral, varia de espécie para espécie.

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Quanto molhar? foto: Pixabay

Dicas gerais:

1.  Se a planta tem a folha fina e delicada, ela precisa de mais água. Por exemplo: as samambaias, as avencas, as plantas de horta. Se a folha é grossa como as suculentas e cactáceas, não necessitam água com frequencia porque possuem a capacidade de armazenar água dentro das folhas e caules.

2. Ao plantar uma muda, a primeira rega deve ser abundante. Se for em vaso, regue até sair água pelo furo do vaso. A  drenagem do vaso é fundamental para o perfeito escoamento da água.

3. Depois do plantio, no primeiro mês regue em dias alternados. Depois, regue quando a terra estiver começando a ficar seca. Veja a explicação técnica no final do texto. Não deixe a planta secar para regar, isto prejudica o seu desenvolvimento.

4. Existem sistemas de irrigação com gotejamento e controladores automáticos que fazem este serviço com perfeição. Mas sempre precisa ter o olho humano para ver se tudo está funcionando e se a dosagem das regas adequada.

5. Se a planta estiver no jardim ou floreira ao ar livre e recebe água da chuva, então regue quando não chover. Se chover por dias seguidos,  deixe o solo secar para regar.

6. Se a planta está dentro de casa ou em sacada que não toma chuva, então regue em dias alternados (no verão) e uma a duas vezes por semana no inverno, sempre observando a umidade do solo conforme explico a seguir.

7. Porque é  melhor regar a planta bastante de uma vez e molhar de novo somente quando secar o solo? A explicação técnica para isto é:   Se a gente molha pouco, de forma superficial, as raizes não se aprofundam no solo e ficam na camada superficial  do solo.  Se regamos bem num dia, deixamos a agua penetrar nas camadas mais profundas do solo, a raíz vai buscar a agua mais fundo e fica mais profunda. E a planta fica com sistema radicular mais resistente e desenvolvido. Assim, ela consegue resistir a períodos de seca.

8. Teste do “dedômetro”: Para verificar se a terra está seca e precisando de rega, faça o seguinte: com uma pá de jardim, faça um furo e veja como ficou a terra a uns 10 cm de profundidade, se está  úmida, porque é nesta profundidade ou mais, que as raizes estão. Toque com o dedo para ver se a terra está úmida ou seca. Com o tempo, você aprende a ver pela cor da terra se está seca.

9. Molhar demais prejudica a planta. Se o solo estiver sempre molhado, as raízes podem apodrecer. Com excesso de umidade nas raízes, podem ocorrer doenças fúngicas e matar a planta.  Com exceção para espécies aquáticas que possuem o caule adaptado a esta condição.

10.  A dosagem de água é um equilíbrio sensível, é preciso observar as condições climáticas e a espécie da planta.

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Regando as plantas foto: Pixabay

 Veja como a falta e o excesso de água prejudicam a planta.

Israel reusa toda a água – reciclagem da água e da água residual

Pisos com água no High Line Park em Nova Iorque

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Piscinas naturais que usam plantas para filtrar a água são inovação em Londres e na França

A piscina natural inaugurada recentemente em Londres usa plantas para filtragem da água e é conhecida como “Clube da Lagoa-piscina King’s Cross”(King’s Cross Pond Club)O diferencial da lagoa-piscina é que não utiliza produtos químicos (cloro, ozônio). Também não usa motores, nem bombas para filtragem da água. A água da lagoa-piscina é purificada por um processo natural de ciclo fechado pois na volta da piscina são cultivadas plantas numa área com solo molhado (tipo um pantano) e plantas aquáticas submersas para filtrar e manter a água limpa e clara. O objetivo é proporcionar aos visitantes e às pessoas que vivem na área, um belo e relaxante lugar onde possam nadar e desfrutar da natureza em uma localização urbana. É uma piscina para natação, tipo clube porém o visitante paga no dia do uso.

Foto: John Sturrock
Foto: John Sturrock -Divulgação –  “Lagoa -piscina ” King’s Cross em Londres recém aberta

Esta é a primeira lagoa de água doce feita pelo homem para banhar-se na Inglaterra. É  inovador pois esta piscina natural foi criada dentro de uma área de construção chamada de King’s Cross que fica no centro da cidade de Londres.  A piscina-lagoa-natural tem 40 metros de comprimento e é criação de Ooze Architects (Eva Pfannes e Sylvain Hartenberg) e da artista Marjetica Potrc. A piscina natural foi intitulada de “Solo e Água” e procura incentivar os visitantes a entrar na água e participar da instalação como uma obra de arte experimental.

King's Cross Pond Club
Foto: John Sturrock – Divulgação – “Lagoa-piscina onde os visitantes nadam, fica em Londres

A filtragem da água da piscina é totalmente natural e por isso restringem o número de nadadores por dia (o limite são 163 pessoas por dia). Para poder nadar nesta piscina é imprescindível tomar banho antes de entrar na água e não se pode usar filtro solar para não sujar a água.  Amostras da água são coletadas 4 vezes por semana e analisadas em laboratório. Caso a quantidade de bactérias passe de um certo limite, a piscina-lagoa é fechada para o banho. A empresa Fusion Lifestyle é a operadora da piscina-lagoa de King’s Cross.  Esta piscina funcionará por 2 anos. Os visitantes da Lagoa tem acesso a vestiários, salva-vidas e uma plataforma de observação que proporciona aos visitantes uma vista aérea da lagoa.

Existem piscinas naturais deste estilo que inclusive criam peixes para complementar o ciclo, já que eles contribuem para eliminar larvas e o limo que fica no fundo. E dai, você teria coragem para tomar banho com as plantas aquáticas e peixes por perto? Eu tenho coragem de nadar numa piscina assim. Adoraria! Pensei na temperatura, será que a água é muito fria?

Na França este estilo de piscina natural  também faz sucesso. A piscina-lagoa é projetada com plantas em volta e  muitas utilizam um sistema de filtros e bombas para circular a água e as  plantas vão oxigenando. Dá uma olhada neste vídeo de 2 minutos:

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=o6r26RQs5iM]

 

 

 

 

 

 

 

 

Gestão da água: Israel inova com tecnologia e reciclagem das águas residuais

Israel é um país de vanguarda em diversos setores e se destaca numa área em especial: a gestão da água. O clima do país é desértico-mediterrânico e a água por lá é um recurso escasso. Shimon Peres, importante político israelense, Premio Nobel da Paz, foi presidente de Israel até 2014, alguns anos atrás esteve em São Paulo e fez um discurso na FIESP (Federação das Indústrias de São Paulo) cujas palavras não saíram da minha mente e transcrevo aqui: – “A água será o futuro da indústria alimentícia. Existe muita água no planeta, mas somente 1% da água é potável. Milhões de crianças morrem no mundo por não terem acesso à água. Mas podemos produzir água de várias maneiras e uma delas é economizando água. A água que economizamos é a mais barata, e se reciclarmos, dobraremos a quantidade de água.”

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Foto: Pixabay – Israel – Lago Kineret

Com esta idéia, a economia israelense focou na gestão do abastecimento da água em períodos de escassez, juntamente com a indústria local que ganhou a posição de especialista mundial no setor. Israel reutiliza as águas residuais para irrigação agrícola há mais de 60 anos e atualmente reusa mais de 75% das suas águas residuais de acordo com o site do ministério de Israel. Desta forma, este pequeno país desenvolveu a expertise em relação a questão do tratamento das águas residuais, a purificação e a reutilização da água na agricultura e na indústria.

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Foto: Pixabay – Norte de Israel – Golan

De acordo com o ALEF News e o jornal The New York Times, as realizações de Israel no setor de água são destaque no mundo todo. ‘‘Há seis anos, estivemos em uma situação muitíssimo próxima de alguém abrir a torneira em algum lugar do país e não sair água”, revelou ao jornal Uri Schor, porta voz da Autoridade Hídrica do governo. Hoje, há água em abundância em Israel. Israel tornou-se líder mundial na reciclagem de águas residuais para a agricultura. O país trata 86% do seu esgoto doméstico, reciclando-o para uso agrícola – volume que representa cerca de 55% de toda a água utilizada na agricultura. Mais de 50% da água para residências, agricultura e indústria é produzida artificialmente, porcentagem maior do que em qualquer outro lugar no mundo. Quatro usinas privadas de dessalinização entraram em operação ao longo da última década. Uma quinta deve estar pronta dentro de alguns meses.”  Por outro lado, Israel tem que lidar com a contaminação das águas subterrâneas e com o alto custo da água para consumo dos habitantes.

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Foto: Pixabay – Israel – Jerusalem- paisagismo na cidade antiga
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Foto: Pixabay

Saiba porque a falta e o excesso de água ocasionam problemas nas plantas

Tanto a falta, como o excesso de água nas plantas ocasionam problemas recorrentes. Independente da irrigação ser automatizada, manual ou só a natural, a gente observa que as plantas sofrem com sede ou afogamento em geral. E como saber a quantidade certa de água que a planta precisa?

folha e água
Foto: Pixabay – Qual a necessidade de água da planta?

A quantidade de água que a planta precisa depende de diversos fatores. Cada espécie de planta é naturalmente adaptada a um tipo clima, de solo e adaptada a uma necessidade de água para se desenvolver.  Para entender como a planta consome água, é necessário ter conhecimento de como o ambiente interage com a planta e condiciona a necessidade de água.  Uma planta originária do deserto e adaptada a pouca água, não terá necessidade de regas frequentes, talvez uma vez por semana seja suficiente. O solo também terá que ser como o do deserto: bem arenoso, bem drenado, a água deve escorrer facilmente. Para este tipo de planta, as cactáceas, que são de clima desértico, o excesso de água pode ser fatal.

Foto: Pixabay - Deserto e cactáceas - aridez, pouca água
Foto: Pixabay – Deserto e cactáceas – aridez, pouca água

Existem plantas aquáticas que são adaptadas a solos saturados de água, como da foto abaixo. Para estas espécies, viver “afogada” em água não é problema. O solo destes locais costumam ser bem argilosos e  reter água.

Ecossistema de lago com plantas aquáticas
Foto: Pixabay – Ecossistema de lago com plantas aquáticas

As plantas estão expostas às variações do ambiente atmosférico. Perdem água continuamente por evaporação e absorvem água e este controle é fundamental para a sobrevivência da planta, o qual é denominado Balanço hídrico.  A água é essencial para os vegetais pois faz o transporte de nutrientes, contribui para a divisão celular, fotossíntese, transporte de excreções, controle de temperatura superficial, etc. Nesse processo de controle hídrico, ou seja, o controle da água que sai das plantas, pode ocorrer perda de água em forma líquida, e pela transpiração que é a perda de água em forma de vapor.

pixabay  folha com água
Foto:Pixabay – folha com água

O ambiente que a planta está influi diretamente no consumo de água. Vai depender da temperatura do local que a planta está, de qual a taxa de umidade relativa do ar deste local (URA), se a planta está plantada em vaso ou no chão, e das características de solo ou substrato e adubação. Estes fatores interagem com a planta em função das características da espécie: se é uma planta originária do deserto ou da floresta tropical, ou seja, de clima seco e quente ou de clima úmido e quente. Vai depender também do estádio vegetativo: se a planta está enraizada, envasada ou transplantada. E todos estes fatores vão condicionar a necessidade de água em relação a quantidade e a frequência da rega.

Foto: Pixabay  - absorção da água pelas plantas
Foto: Pixabay – absorção da água pelas plantas

Então, para saber a quantidade certa de água que a planta precisa, conheça a espécie da planta, a origem e seus hábitos. Plante no tipo de solo que a planta precisa (arenoso/argiloso) e veja sua necessidade de nutrientes.  Antes de regar as plantas, verifique como estão as condições do solo onde a planta está cultivada e do clima. Observe a uma certa profundidade (3 cm), se o solo está seco ou úmido.  Desta forma você terá elementos para definir a quantidade de água que a planta precisa.