Arquivo da categoria: Preservação e recuperação ambiental

Parques nacionais têm turismo selvagem e ético na África do Sul

A Africa do Sul  é um dos roteiros turísticos  mais incríveis para conhecer e entrar em contato com animais e com a vida selvagem.  Ao pensar em vida selvagem devemos ter uma abordagem ética. Não devemos domesticar a natureza de um animal selvagem. Ao domesticá-lo, o animal é retirado  do seu habitat,  da sua família, e pior, são domesticados à chicotadas. Estes animais selvagens desempenham um papel fundamental na cadeia ecológica para a manutenção de todo o ecossistema das florestas e savanas africanas.

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Elefantes do Addo Park – Africa do Sul foto: Ana Paula Chittó

Ao invés do turista escolher um turismo do estilo “fazer carinho em leão”  ou “passear sobre elefantes“, deve priorizar os passeios nos safaris em Parques nacionais como Kruger ou  os safaris oceânicos, onde os animais estão em estado selvagem de verdade. O assassinato trágico da onça da tocha olímpica somente demonstra o quão equivado é tentar domesticar animais selvagens retirando-os do seu ambiente natural.

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Elefantes no  Addo Elephant Park na Africa do Sul – foto: Ana Paula Chittó

A Africa do Sul é um lugar muito procurado pelos turistas que querem conhecer os “Big 5” – 5 Grandes.  Big Five se refere aos cinco mamíferos selvagens de grande porte mais difíceis de serem caçados pelo homem na Africa como o leão, o elefante, o rinoceronte, o búfalo e o leopardo. A expressão também é usada nos safáris de observação pelos guias locais quando se referem à fauna selvagem da região da savana.

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Leão selvagem em parque de Safari na Africa do Sul – foto: Ana Paula Chittó

Os passeios que estimulam acariciar leões bebes e  levar leõas para passear, incentivam no fundo um ciclo de crueldade. Estes animais tornam-se adultos, e acabam sendo abatidos por caçadores atrás de famosos troféus e seus ossos vendidos ao mercado Asiático. O mesmo vale para escolhas como passear em cima de elefantes, outra indústria da crueldade onde o animal ainda bebê é retirado de sua mãe, é tratado a chicotadas para ser domesticado, além de passar a vida acorrentado.

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Zebras em safari na Africa do Sul foto: Ana Paula Chittó

Animais selvagens tem que ser apreciados dentro de parques nacionais onde a vida selvagem acontece na sua íntegra, respeitando o fato de que leões e elefantes fazem parte das florestas e savanas africanas e têm seu papel fundamental na cadeia ecológica. A população destes grandes selvagens vem diminuindo ao longo dos anos  e muitos estão ameaçados de extinção.

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Elefantes em safari na Africa do Sul foto: Ana Paula Chittó

Ótimos parques na Africa do Sul são o Kruger National Park perto de Johanasburg. A estrada denominada de Garden Route, perto de Porto Elizabeth, a costa do sol, possui praias paradisíacas e vinhedos. É um destino seguro e tem ótimas Games Reserves (Reservas Nacionais), além do Addo Elephant National Park, o único Park dos Big 7.  Big 7 refere-se ao 7 maiores animais incluindo os animais marinhos como a baleia e o tubarão. Este é o Safari oceânico, onde pode-se ver os 7 maiores animais selvagens nesta costa. É uma excelente aventura e ainda pode-se ver a migração das sardinhas, um evento épico da vida selvagem.

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Hipopótamus na Africa do Sul foto: Ana Paula Chittó

Visitar Parques Nacionais, além de ser uma escolha eticamente correta, contribui para a preservação de florestas e para a proteção de espécimes ameaçadas.

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Búfalo selvagem – foto : Ana Paula Chittó

Uma dica de preservação da vida selvagem valiosa: quando publicar as fotos nas redes sociais da sua visita nestes Parques nacionais e reservas na Africa, desligue o GPS do celular e não publique no Instagran. Porque quando as pessoas encontram rinocerontes com presas, elefantes com a presa, elefantes selvagens e publicam nas redes sociais,  os caçadores de marfim e os caçadores de chifres rastreiam as fotos nas redes sociais e estes animais viram alvo destes caçadores ilegais.  O chifre de marfim está valendo mais que a grama do ouro, então os caçadores ilegais perseguem estes animais selvagens.

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Addo Elephant park na Africa do Sul foto: Ana Paula Chittó

Os bichos mais perigosos e que matam gente são o búfalo e hipopótamo porque são os mais agressivos apesar da aparência fofa. São muito perigosos porque são territorialistas.

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Girafa em parque na Africa do Sul foto: Ana Paula Chittó

Um evento recém ocorrido nos leva a questionar como devemos nos relacionar com o mundo selvagem. O triste episódio da onça-pintada assassinada no Evento da tocha Olimpica das Olimpíadas no Rio de Janeiro demonstra o desrespeito em relação a natureza selvagem do animal. Além disto, colocou em risco a segurança das pessoas que estavam no evento.

Entre nos links dos Parques e faça seu próprio Safari:

https://www.sanparks.org/

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Chegou o inverno, época de comer pinhão!

O inverno chegou. Aquecer-se na lareira tomando chimarrão e comendo pinhão é tudo de bom!  Você sabe de onde vem o pinhão? É o fruto da árvore  conhecida como araucaria ou pinheiro brasileiro.  A Araucaria angustifolia* é uma das maiores árvores da flora nativa e infelizmente consta na Lista das espécies da flora ameaçadas de extinção pelo Ministério do Meio Ambiente. O corte da araucaria é proibido por lei. O pinhão é a semente da araucaria e o fruto se chama pinha.

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Foto: Wikimedia commons – fruto da araucaria é a pinha onde está o pinhão

A reprodução da araucária na floresta acontece de maneira curiosa: o pássaro da espécie gralha azul  se alimenta da semente, o pinhão. Para garantir o seu alimento, a gralha azul enterra a semente da pinha e desta forma elas germinam  e são disseminadas. Em viveiros o plantio é feito com o pinhão colocado em embalagens individuais e demora entre 20 a 110 dias para germinar. As sementes devem ser plantadas logo após a colheita. A melhor época para a colheita das sementes é nos meses de maio, junho e julho. A época adequada para o plantio das mudas é nos meses de inverno. Outros animais contribuem também na disseminação da semente como roedores, cutias e outras aves.

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Foto: Pixabay – árvore Araucaria angustifolia – pinheiro brasileiro
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Foto: Pixabay – A araucaria se destaca na paisagem com sua copa com os galhos voltados para o céu.

A araucaria é uma árvore perenifólia (não perde as folhas), pioneira, de grande porte, de até 50 metros de altura com tronco retilíneo com 90-180 cm de diâmetro. A planta jovem possui forma piramidal e bem diferente da adulta. O seu fruto, a pinha, pode conter até 150 sementes – os pinhões, que são muito nutritivos e apreciados tanto pela fauna silvestre, quanto pelo homem.  A madeira era usada na marcenaria e carpintaria e foi muito extraída para estes fins até a década de 70, quando seu corte foi proibido. A araucaria ocorre no Estado do Rio Grande do Sul  até Minas Gerais em lugares com altitude maiores de 500 metros. É a árvore simbolo do Paraná. Uma curiosidade sobre a Araucaria é que existe a árvore feminina que forma as pinhas e tem a árvore masculina que forma cones que produzem o polen. A polinização é feita pelo vento.

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Foto: Pixabay
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Foto: Helena Schanzer – Pinhão – fruto da araucaria

 

 

*Árvores do sul: Guia de identificação & interesse ecológico. Paulo Backes & Bruno Irgang. Clube da árvore. Instituto Souza Cruz.

 

Jardins feitos por amor!

O amor e a paixão inspiraram a criação de vários jardins e monumentos espetaculares pelo mundo. Em homenagem ao Dia dos Namorados apresento 3 obras de jardins fantásticos pela grandiosidade e beleza:  Jardins de Shalimar (India), Taj Mahal (India) e os Jardins suspensos da Babilonia (Mesopotamia/atual Iraque).

Os jardins de Shalimar em Srinagar, India, abrangem uma área de 12,4 hectares no Lago Dal de Kashmir.  É um lugar para relaxar e apreciar a natureza. A palavra Shalimar em sânscrito significa ‘morada do amor’. O Imperador Jahangir de Mogol construiu os jardins em 1619 e deu de presente para sua esposa Nor Jahan. O local hoje é um parque público.

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Foto: Vinayaraj – Wikimedia- reprodução- jardins de Shalimar -Srinagar, India

O Palácio do Taj Mahal foi construído em nome do amor eterno. O Taj Mahal é um mausoléu situado em Agra, na Índia.  A obra começou em 1632 até 1652 e contou com a força de 20 mil homens trazidos de várias cidades do Oriente. O imperador Shah Jahan mandou construir o monumento de mármore branco em memória de sua esposa favorita, Aryumand Banu Begam, a quem chamava de Mumtaz Mahal “a joia do palácio”. Ela morreu após dar à luz ao 14º filho. Desolado com a perda, o rei construiu este enorme mausoléu para abrigar o corpo de sua amada e simbolizar o seu amor pela falecida esposa. É incrustado com pedras semipreciosas e sua cúpula é costurada com fios de ouro. É uma 7  Maravilhas do Mundo e reconhecido pela UNESCO como Patrimônio da Humanidade.

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Foto: Common wikimedia – Taj Mahal na India – Jardins do entorno do masoléu

Os famosos Jardins suspensos da Babilônia foram construídos porque a esposa preferida do rei Nabucodonosor, Amitis, sentia saudades da sua terra natal. Então o rei construiu no seu palácio os famosos jardins em patamares para que a sua amada avistasse a paisagem montanhosa e as planícies da sua terra de origem. Os jardins são do século VI a.C., na Mesopotâmia, atual Iraque. A obra é considerada uma das 7 Maravilhas do Mundo Antigo, apesar de não se ter registros de sua existência em pesquisas arqueológicas. Eram formados por terraços construídos em andares, cada andar com +- 120 m², apoiados por gigantes colunas que chegavam a medir até 100 metros. Cada superfície era adornada com jardins botânicos que continham inúmeras árvores frutíferas, palmeiras, esculturas e cascatas.

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Foto: commons.wikimedia.org – Jardins Suspensos da Babilônia by Maarten van Heemskerck

 

Então, ficou inspirado para dar um presente inesquecível para o seu amor?

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No jardim do Lutzenberger habitavam graxaim, tartarugas, sapos e caranguejeiras

O ecologista José Lutzenberger era um defensor ferrenho da natureza. Era apaixonado por plantas e também por animais. Por isto, continuo minha homenagem a ele com o Capítulo 3 dos posts pela Semana do Meio Ambiente. Na entrevista com Lilly Lutzenberger,  filha dele, tive que dedicar um capítulo aos animais. Quando perguntei se o Lutz tinha animais de estimação, descobri que ele adotou gatos, o cachorro Lux, seu companheiro de aventuras,  além de animais bastante diferentes como caranguejeiras, sapos albinos, jabutis*, abelhas-nativas e graxaim.

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Lutzenberger e o aquário dos sapos albinos- Foto:acervo de Lilly Lutzenberger

Veja quem foi o ecologista José Lutzenberger

Conheça o jardim da casa do ambientalista Lutz

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Animais de estimação no jardim: abelhas-nativas – Foto: Lilly Lutzenberger
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Reportagem da Zero Hora de 16.10.1988 Acervo: Lilly Lutzenberger

Acompanhem o relato da Lilly Lutzenberger:

“Desde o começo, sempre houve muitos bichos adotados no jardim, para desespero, primeiro de minha avó, depois de minha mãe, que acabavam tendo que cozinhar e cuidar de todos eles. Até pouco tempo atrás, ainda não existia tanta ração, nem produtos para animais de estimação e a comida para eles precisava ser preparada em casa. Além de uma infinidade de cães e gatos, bichos mais exóticos também povoaram o jardim, todos adotados. No começo da década de 70, meu pai ia seguido ao Zoológico de Sapucaia e de lá às vezes voltava com um filhote de graxaim embaixo do braço. Caçadores matavam a mãe, depois largavam as crias no Zoológico que não sabia o que fazer com tantos filhotes de graxaim… Tudo corria relativamente bem enquanto o bichinho ainda era pequeno, mas, depois que crescia e os instintos selvagens surgiam, começavam os problemas.

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Lutzenberger e o graxaim – Foto: acervo de Lilly Lutzenberger

Tivemos a Lolita, uma femeazinha traumatizada e arisca, que vivia escondida nos arbustos e dois machinhos doidos, sendo que o segundo, ao crescer, se tornou impossível. Um dia, escavou e conseguiu passar por baixo da cerca que separava nosso jardim do terreno de trás e, em tempo recorde, dizimou o galinheiro do vizinho. Era galinha e galo morto por tudo, o vizinho ficou danado e meu pai teve de repor todo o plantel e reforçar a cerca. O endiabrado do graxaim era rápido como um raio e atacava a tudo e a todos. Mordeu feio minha irmã, que naquela época ainda era muito pequena, depois nossa empregada e também uma tia. Depois do terceiro incidente, ninguém além de meu pai se atrevia mais a pisar no jardim. Mas ele defendia seu mascote, alegando que o problema não era dele, mas das mulheres da casa que não o entendiam, nem sabiam como tratá-lo… Até o dia em que, do nada, o graxaim avançou nele e lhe rasgou a mão com os dentes. Em seguida, o graxaim voltou para o zoológico…”

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Animais de estimação no jardim: Jabutis – Foto: Lilly Lutzenberger

“Mais ou menos na mesma época, meu pai também criava uma enorme aranha caranguejeira numa gaiola de pássaros. Felizmente, a aranha era tão grande e gorda que não conseguia passar por entre os barrotes da gaiola. Mas, todos os dias, meu pai a tirava de dentro de seus aposentos e a deixava passear ao longo de seu braço, da mão até o ombro e vice-versa. Hipnotizada, eu assistia ao número enquanto ele tentava me convencer a fazer o mesmo, garantindo que não havia perigo nenhum. Mas eu preferia só olhar. A aranha comia bolinhas de guisado fresco que meu pai amorosamente lhe preparava todos os dias. A gaiola ficava na nossa lavanderia, no andar térreo, e um dia a encontrei devorando um pequeno camundongo. Fiquei impressionada, pensando que meu pai havia aprendido a capturar camundongos vivos para sua protegida. Mas não, o que tinha acontecido é que o imprudente roedorzinho havia entrado na gaiola durante a noite para roubar os restos do jantar da aranha e acabou se transformando no seu café da manhã.Tivemos uma caturrita chamada Zé Carioca que viveu conosco por um bom tempo. Quando chegou, tinha uma asa machucada, não conseguia mais voar, mas aprendeu a abrir e fechar sozinha a portinhola de sua gaiola e, todos os dias, fazia passeios pelo jardim. Até que terminou dentro da barriga de um de nossos gatos.”

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Animais de estimação no jardim: Jabutis – Foto: Lilly Lutzenberger

“Nos anos 80, um dia meu pai voltou de uma viagem ao norte do Brasil com uma grande caixa de papelão. Dentro havia duas dezenas de pequenos jabutis de diferentes espécies. Ele nos explicou que os havia confiscado de alguém que pretendia transformá-los em sopa. Confiscou-os, trouxe para Porto Alegre (de avião!) e largou no jardim. Com o passar dos anos, quase todos morreram por não suportarem o frio de nossos invernos. Mas 3 se adaptaram, cresceram e ficaram enormes, pareciam melancias com patas. Viveram no nosso jardim até poucos anos atrás, quando foram transferidos para o Rincão Gaia, em função das obras de reforma da  Casa Lutzenberger.”

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Sapos albinos  Foto:  Acervo  Lilly Lutzenbeger

“Pouco tempo antes de morrer, ele ainda arrumou um par de sapos aquáticos albinos (Xenopus) e colocou-os dentro de um dos aquários do jardim. Eram brancos e cegos, pareciam fantasminhas vagando pela água. Mas ele os achava maravilhosos e, como não enxergavam, lhes dava comida na boca com uma pinça bem comprida. Meu pai tinha também o hábito de juntar e guardar restos de nossos animais de estimação quando morriam, de bichos mortos e plantas que ele encontrava na natureza. Ossos, cascos de tartaruga, ninhos abandonados, ovos, plumas, peles de cobras e lagartos, sapos secos, cascudos gigantes, asas de borboletas coloridas, conchas, estrelas do mar e restos de corais decoravam seu escritório e o resto casa. Sementes de todo tipo e pedras bonitas também.”

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Composteira no jardim foto: Lilly Lutzenberger

“E havia uma linda composteira no fundo do jardim, alimentada com os restos orgânicos da cozinha e repleta de insetos, tatuzinhos, gordas minhocas e uma infinidade de micro-organismos interessantes que fabricavam um adubo maravilhoso para suas floreiras.” 

Animais de estimação no jardim: abelhas - Foto: Lilly Lutzenberger
Animais de estimação na casa e  jardim: abelhas-nativas – Foto: Lilly Lutzenberger

“Na fachada da casa, numa fenda localizada no canto esquerdo inferior da porta de entrada, se abria, desde sempre, um ninho de abelhinhas do bosque. Ninguém sabe como, nem porque escolheram aquele lugar inóspito para se instalar. Meu pai procurava protegê-las dos constantes ataques e danos que sofriam pela mão das domésticas que as varriam dali sem nem vê-las ou de algum dos tantos mendigos que costumavam pernoitar no vão da porta e as aplastavam sempre de novo. Mas as valentes abelhinhas silvestres, por alguma razão, nunca desistiram daquele lugar. Durante décadas incansavelmente reconstruíram seu ninho devastado, sobreviveram a quase dois anos de pesadas obras de revitalização da Casa Lutzenberger e continuam ali até hoje, diminutas e lindas, demonstrando a nós arrogantes humanos que, apesar das aparências, a força bruta não é o que move o mundo, mas a beleza e a delicadeza.”

Animais de estimação no jardim: abelhas - Foto: Lilly Lutzenberger
Animais de estimação na casa e no jardim: abelhas-nativas – Foto: Lilly Lutzenberger

 

* Corrigido em 4/6/2016 às 0:56 hr

Saiba mais sobre o ecologista  José Lutzenberger  e a sua luta ambiental

Veja a infância do Lutzenberger retratada através de ilustrações de seu pai

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Conheça o incrível jardim do ecologista José Lutzenberger – Capítulo 1

Acho incrível em pleno bairro Bomfim existir um jardim selvagem e cheio de árvores. Perto do Parque da Redenção, raros prédios tem mais do que 1 ou 2 árvores, quando tem! Uma área verde assim só poderia ser o jardim da casa do agronomo ecologista José Lutzenberger. Conversei com a filha dele, Lilly para saber como foi a evolução desta área verde ao longo dos anos. Esta semana, em homenagem a Semana do Meio Ambiente,  farei 3 posts sobre o ambientalista José Lutzenberger: sobre o jardim da casa dele, sobre a infância dele retratada em ilustrações pelo seu pai e sobre os animais de estimação que o Lutz criava.  Me acompanhe!

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José Lutzenberger na sua casa Foto: Lilly Lutzenberger

Saiba Quem foi o ambientalista José Lutzenberger

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Jardim visto de cima foto: Lilly Lutzenberger

A casa foi projetada em 1931 pelo pai de José Lutzenberger, o engenheiro-arquiteto e aquarelista Joseph Lutzenberger. Ficou pronta em 1932 e  Lutzenberger filho e a família se mudaram para lá, quando ele tinha 6 anos de idade.  A casa cumpria as funções de residência e escritório do Joseph Lutzenberger. O escritório ficava no térreo e a família ocupava o primeiro e segundo andares. Na época, o terreno era dividido em duas partes: metade casa e jardim e metade depósito de materiais de construção do Joseph.

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Fachada da casa Foto: Lilly Lutzenberger

 

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Jardim da casa do Lutz hoje, Monsteras   Foto:  Lilly Lutzenberger

Lilly: – “Tanto a Família Lutzenberger (do pai de meu pai – oriundo de Altötting, na Baviera) quanto a Flia. Kroeff (da mãe de meu pai, imigrantes alemães que se estabeleceram em Novo Hamburgo no final de 1854) eram grandes amantes das plantas e da jardinagem. Meu bisavô Joseph Lutzenberger vivia num casarão na praça central de Altötting e tinha um imenso jardim a poucas quadras do centro, onde cultivava suas rosas, pomar, etc. Meu bisavô Jakob Kroeff morava com a familia em Novo Hamburgo numa casa rodeada por um grande e lindo jardim. Por isso, o jardim da Casa Lutzenberger em Porto Alegre foi sempre muito movimentado, pois minha avó e os 3 filhos o utilizavam para jardinar e brincar.”

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Ilustração de Joseph Luzenberger ( pai) de 1934 cedida por Lilly Lutzenberger

Veja post sobre as ilustrações de Lutzenberger que retratam a infância do ambientalista

Como era o jardim no início? Como e quando foram plantadas as árvores?

Lilly:  – “Da vegetação original do jardim praticamente não resta nada. Era um jardim típico da época, com traçado geométrico”.

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Traçado inicial do jardim geométrico pelo arq. Joseph Lutzenberger   Imagem: Lilly Lutzenberger

Lilly: – “Havia duas longas pergolas que percorriam as laterais do jardim. Hoje, resta apenas a da lateral esquerda, a outra desabou nos anos 80. O resto do jardim tinha canteiros retangulares, uma linha de palmeiras ornamentais entre as pérgolas, uma grande floreira circular de três andares que parecia um bolo de noiva ao centro e, nos fundos, árvores frutíferas e um galinheiro. Lembro que, quando meu pai decidiu voltar ao Brasil, em1971, depois de 13 anos trabalhando no exterior, ainda existiam uma goiabeira, um caqui, uma pereira e uma parreira que cobria a pérgola que ruiu nos anos 80. Todas elas morreram ainda nos anos 70 e 80, de velhas e também por falta de luz, uma vez que casa e jardim, com o passar dos anos, foram ficando na sombra por causa dos prédios altos que cresceram ao seu redor. Uma pena. As palmeiras estão lá até hoje, velhinhas e um pouco tristes pela pouca luz. E algumas árvores, hoje imensas, provavelmente plantadas pelo meu pai.”

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Jardim da casa Foto: Lilly Lutzenberger

Lilly: -“No depósito de materiais de construção ao lado, meu pai havia plantado também um abacateiro, o qual sobreviveu em muitos anos às outras frutíferas. Lembro que, até o fim, meu pai cuidou e tratou desta árvore com carinho. Depois de seu falecimento, ela ainda durou alguns anos e morreu também. Apesar de seu grande amor pela botânica e paisagismo, ele pouco cuidou do resto do jardim depois de nosso retorno ao Brasil, por absoluta falta de oportunidade, pois as causas ambientais terminaram por absorvê-lo de forma tal que não lhe sobrava tempo para mais nada.”

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Jardim da casa do Lutz hoje- pergolado antigo Foto: Helena Schanzer

Ele criava algum tipo de planta em especial?

Lilly: – “Durante seus anos no exterior, ele ainda conseguia dedicar-se à botânica. Ao longo de suas numerosas viagens a trabalho, aproveitava para se embrenhar na paisagem e conhecer de perto a vegetação nativa. Ao mesmo tempo em que ficava maravilhado com a beleza e diversidade dos biomas que encontrava, entristecia-o a velocidade vertiginosa com que tudo ia sendo destruído pelo homem. Pesquisava, fotografava e recolhia sementes e mudas por onde passava, as quais depois cultivava em casa, na sacada quando morávamos em apartamento e no jardim quando em casa.”

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Jardim da casa Foto: Lilly Lutzenberger

Lilly: – “Ele também se correspondia e trocava idéias, teorias, sementes e mudas com botânicos e colecionadores do mundo inteiro. Inclusive, existe uma euforbiácea venezuelana que leva seu nome – Euphorbia lutzenbergeriana Croizat.  Sua paixão eram as plantas de climas e regiões áridas (cactáceas e suculentas em geral), as plantas aquáticas e as carnívoras. Ele sempre tinha vasos com cactus, suculentas e carnívoras nos lugares mais bem iluminados da casa e do jardim e um que outro aquário. Aqui em Porto Alegre, chegou a ter dois grandes no jardim, cheios de plantas aquáticas.”

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Jardim da casa atualmente Foto: Helena Schanzer

“Infelizmente, no Brasil, sua vida foi ficando cada vez mais agitada e estressante e seu tempo cada vez mais escasso, obrigando-o a desatender seu jardim. Mas ele acreditava que um dia voltaria a ter tempo suficiente de retomá-lo. E queria fazer isso sozinho, com suas próprias mãos. Temia delegar essa tarefa aos jardineiros locais que, segundo ele, além de não entenderem nada do assunto, careciam de sensibilidade. Ele os chamava de “demolidores de plantas”, principalmente aqueles terríveis encarregados da poda e manutenção de nossas árvores urbanas. Por isso, por mais que seu jardim estivesse em estado calamitoso, ele não permitia que ninguém tocasse em uma única folha sequer sem seu acompanhamento pessoal. Infelizmente, os anos foram passando e o jardim se deteriorando sem que pudesse voltar a dar-lhe a devida atenção. Assim, ao longo de 3 décadas de quase total abandono, o mesmo transformou-se numa pequena selva virgem.”

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Jardim da casa atualmente Foto: Helena Schanzer

Tu participavas?

Lilly: -“Pouco também, mas brinquei muito naquele jardim. Mais tarde, já grande, muitas vezes ficava encarregada de cuidar das plantas de estimação que ele mantinha na sacada do dormitório e na janela de nossa sala de estar.”

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Cactáceas na janela da sacada da casa do Lutz Foto: Lilly Lutzenberger

Que transformações este jardim já passou? Para que é usado hoje?

O jardim foi muito usado e cuidado desde sua criação até o final dos anos 60, depois foi se assilvestrando até poucos anos atrás. Entre 2010 e 2012, a casa passou por obras de restauro e ampliação para sediar o atual escritório da Empresa Vida e o jardim foi revitalizado pelo paisagista Adolfo Müller.  Em agosto de 2012 se transformou no escritório da empresa Vida.

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Vista do jardim de dentro da casa Foto: Lilly Lutzenberger

Foi feita uma reciclagem?

Sim, mas, como não existem quase registros, sobretudo fotográficos, de como era o jardim original nos anos 30, nem se sabe que aspecto o mesmo teria adquirido caso meu pai tivesse tido a oportunidade de recuperá-lo, optou-se por preservar a maior parte da vegetação já existente por ocasião de sua morte e integrá-la com formas e espécies vegetais que correspondessem o mais fielmente possível aos conceitos de paisagismo e jardinagem que ele defendia.

Reciclagem da casa Foto: Lilly Lutzenberger

É tombado?

A pedido de suas proprietárias, a Casa Lutzenberger foi tombada em 2012.

O jardim também?

Creio que não, não tenho certeza, mas as árvores grandes que nele se encontram estão protegidas, não podem ser cortadas.

Dá muito trabalho cuidar do jardim?

Como o jardim foi remodelado de modo a preservar ao máximo a configuração que foi deixada pelo meu pai – assilvestrado por força das circunstâncias – ele não dá muito trabalho, pois tem muitas árvores, muita sombra e pouca grama.

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Jardim da casa do Lutzenberger Foto: Helena Schanzer

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Conhece a "Floresta de bolso" ou minifloresta?

O termo “Floresta de bolso” significa uma pequena floresta cultivada dentro de centros urbanos.  Estamos precisando tanto de áreas verdes significativas nas cidades!  Áreas verdes que purifiquem o ar, refresquem a atmosfera, incrementem a avifauna e isto só se consegue plantando árvores e, de preferencia, espécies nativas. Estive na floricultura Blumengarten conferir quais árvores de espécies nativas vendiam para montar uma “Floresta de bolso“, ou minifloresta. Encontrei tantas árvores interessantes! Jaboticabeira, pitangueira, araçá, pata de vaca, açaí, canela-nativa, entre tantas outras espécies de árvores nativas para voce compor a “Floresta de bolso”.

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Jaboticabeira é uma árvore nativa Foto: Helena Schanzer

Conforme reportagem do jornal paulista Estadão, a “Floresta de Bolso” é uma técnica desenvolvida pelo botânico paulista Ricardo Cardim. O grande lance da floresta de bolso é concentrar grande biodiversidade e massa arbórea numa pequena área. Para as cidades hoje tão adensadas e áridas, criar bolsões verdes contribui com diversas vantagens para melhorar o clima e a qualidade de vida urbana.

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A “floresta de bolso” é uma solução ambiental importante para a cidade, pois combate ilhas de calor, umidifica e purifica o ar, preserva espécies vegetais nativas ameaçadas de extinção, resgata a biodiversidade local e fornece abrigo para polinizadores e pássaros. Dá para plantar mudas de tamanho grande que o pequeno bosque fica pronto mais rápido.

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A idéia do botânico paulista Ricardo Cardim é muito legal e incentiva coletivos a plantarem florestas de bolso com espécies da mata atlantica. É uma aula de educação ambiental na prática! No inicio do mes de março, realizou um plantio coletivo da primeira minifloresta pública de São Paulo, ou Floresta de Bolso. Montada em uma área que estava totalmente abandonada, entre duas avenidas no bairro Vila Olímpia, a floresta vai trazer uma série de benefícios para a região.  Então, vamos multiplicar esta iniciativa nas cidades?

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BLUMENGARTEN

HORÁRIO DE ATENDIMENTO
segunda a sábado das 08h às 18:30h (horário de verão)
domingos e feriados das 10h às 18h

ENDEREÇO

Rua Dr. Salvador França, 1750
Bairro Jardim Botânico III Perimetral
Porto Alegre / RS – com estacionamento próprio

Fone: (55) 51 3338 1588

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*Essa é uma postagem comercial. O conteúdo foi redigido pelo Jardim de Helena (Helena Schanzer) e a marca e o local que aparecem aqui estão em conformidade com as condições editoriais para publicação no blog e no site da Rádio Gaúcha. A autora do blog teve liberdade para escolher, avaliar ou até mesmo vetar (se necessário) marcas ou produtos. É a garantia que você (leitor) terá exatamente o mesmo ponto de vista e qualidade de um conteúdo não comercializado.

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Conhece a “Floresta de bolso” ou minifloresta?

O termo “Floresta de bolso” significa uma pequena floresta cultivada dentro de centros urbanos.  Estamos precisando tanto de áreas verdes significativas nas cidades!  Áreas verdes que purifiquem o ar, refresquem a atmosfera, incrementem a avifauna e isto só se consegue plantando árvores e, de preferencia, espécies nativas. Estive na floricultura Blumengarten conferir quais árvores de espécies nativas vendiam para montar uma “Floresta de bolso“, ou minifloresta. Encontrei tantas árvores interessantes! Jaboticabeira, pitangueira, araçá, pata de vaca, açaí, canela-nativa, entre tantas outras espécies de árvores nativas para voce compor a “Floresta de bolso”.

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Jaboticabeira é uma árvore nativa Foto: Helena Schanzer

Conforme reportagem do jornal paulista Estadão, a “Floresta de Bolso” é uma técnica desenvolvida pelo botânico paulista Ricardo Cardim. O grande lance da floresta de bolso é concentrar grande biodiversidade e massa arbórea numa pequena área. Para as cidades hoje tão adensadas e áridas, criar bolsões verdes contribui com diversas vantagens para melhorar o clima e a qualidade de vida urbana.

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A “floresta de bolso” é uma solução ambiental importante para a cidade, pois combate ilhas de calor, umidifica e purifica o ar, preserva espécies vegetais nativas ameaçadas de extinção, resgata a biodiversidade local e fornece abrigo para polinizadores e pássaros. Dá para plantar mudas de tamanho grande que o pequeno bosque fica pronto mais rápido.

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A idéia do botânico paulista Ricardo Cardim é muito legal e incentiva coletivos a plantarem florestas de bolso com espécies da mata atlantica. É uma aula de educação ambiental na prática! No inicio do mes de março, realizou um plantio coletivo da primeira minifloresta pública de São Paulo, ou Floresta de Bolso. Montada em uma área que estava totalmente abandonada, entre duas avenidas no bairro Vila Olímpia, a floresta vai trazer uma série de benefícios para a região.  Então, vamos multiplicar esta iniciativa nas cidades?

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BLUMENGARTEN

HORÁRIO DE ATENDIMENTO
segunda a sábado das 08h às 18:30h (horário de verão)
domingos e feriados das 10h às 18h

ENDEREÇO

Rua Dr. Salvador França, 1750
Bairro Jardim Botânico III Perimetral
Porto Alegre / RS – com estacionamento próprio

Fone: (55) 51 3338 1588

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*Essa é uma postagem comercial. O conteúdo foi redigido pelo Jardim de Helena (Helena Schanzer) e a marca e o local que aparecem aqui estão em conformidade com as condições editoriais para publicação no blog e no site da Rádio Gaúcha. A autora do blog teve liberdade para escolher, avaliar ou até mesmo vetar (se necessário) marcas ou produtos. É a garantia que você (leitor) terá exatamente o mesmo ponto de vista e qualidade de um conteúdo não comercializado.

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Porque as árvores caem durante o temporal?

As árvores caem quando ocorre um temporal por vários motivos: estão doentes e podres por dentro, a área do entorno no piso está pavimentada impedindo a drenagem correta da água, tipo de  solo que encharca demais, a espécie e o tamanho são inadequados ao local onde foi plantada, ou uma espécie que tomba facilmente. Árvores são seres vivos: crescem, podem adoecer,  morrem e precisam  de cuidados. Árvores também são seres sociais:  na natureza crescem em grupos e com espécies diversificadas no mesmo bosque. Na cidade costuma-se plantar árvores isoladas, sem variedade e ainda de espécies altas ou com sistema radicular superficial.  Para piorar, ainda fazem um canteiro pequeno para suas raízes e colocam piso na volta. Tudo isto acaba conspirando para quando ocorra um temporal, ocasione a desestabilização da árvore e suas raízes e, com  o vento, tomba.

Árvore caída na rua durante temporal – Foto: radio Gaucha

É necessário que o solo permita que a água escoe bem, de modo a evitar alagamentos.  Uma medida excelente para diminuir o impacto água da enxurrada é  a implantação de cobertura verdes ou telhados verdes que contribuem para absorver a chuva. A camada de vegetação em uma cobertura viva age como uma grande esponja da chuva forte , devolvendo a água ao sistema pluvial lentamente. Existem espécies de árvores que costumam cair como eucalipto, guapuruvu, entre outras. Plantar árvores grandes junto de casa não é indicado. Importante também são os cuidados com a árvore: poda de galhos secos ou doentes, retirar espécies parasitas, entre outros.

Árvore cultivada isolada caída no temporal – Foto: radio Gaucha

O planejamento urbano deve preservar e incentivar zonas com mais vegetação, menos árvores solitárias com raízes bloqueadas pelo concreto, espécie inadequadas e sem cuidado. Por exemplo, uma área de mato com árvores nativas como da foto abaixo, nenhuma árvore ou galho caíram depois do temporal. Enquanto na cidade, dezenas de árvores caíram causando acidentes. Como se observa no mato abaixo, os galhos das árvores formam uma trama aérea que oferece suporte e evita que galhos e árvores caiam. Fundamental é observar constantemente a saúde as árvores. E as folhas das árvores  podem entupir os bueiros?  Não, as folhas se decompõe e de modo geral são pequenas.  No caso do mato, ainda se transforma em uma camada de húmus fértil.  Os sacos plásticos e o lixo largado nas ruas é que entopem os bueiros e as bocas de lobo causando inundações.

Mato nativo, as copas das árvores seguram uma às outras – foto: Helena Schanzer

 O monitoramento das árvores constante é fundamental para analisar as condições fitossanitárias das mesmas. Existem aparelhos de ultrassom  para examinar a saúde das árvores e indica se a árvore está saudável ou se corre o risco de cair. Desta forma, é possível precaver-se para que a árvore seja removida ou ter a lesão cuidada.  Existem técnicas como a  dendrocirurgia para tratarmos as partes danificadas da árvore por fungos ou pragas, onde  se recompõe o tronco, devolvendo estabilidade à árvore.

OBS: O que aconteceu na noite de 29/01/2016 em Porto Alegre e destruiu centenas de árvores foi um ciclone, vai além das situações descritas aqui no post.

 

 

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Como anda a punição pelo desastre ambiental de Mariana?

Conforme recém informou, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) protocolou hoje, 15 de janeiro, manifestação requerendo o aumento do valor da multa diária de R$ 1 milhão para R$ 5 milhões por dia de atraso na entrega, pela Samarco, da projeção atualizada final dos possíveis cenários em caso de rompimento (estudo “Dam Break”) das barragens Germano e Santarém e das demais estruturas remanescentes (diques 2, Sela, Tulipa e Selinha), com previsão de consequências e, especialmente, as medidas emergenciais concretas a serem adotadas em cada cenário. O desastre ambiental aconteceu em 5 de novembro de 2015.

Veja: O maior desastre ambiental do Brasil: A morte do Rio Doce

Cenário desolador deixado pela tragédia na barragem em Minas Gerais Foto:pixabay

A empresa Samarco até o momento vem descumprindo uma série de decisões judiciais, sem definir qualquer medida emergencial concreta a ser adotada em cada cenário. De acordo com os promotores de Justiça, o estudo apresentado pela Samarco ao Tribunal de Justiça contém informações altamente relevantes tais como a projeção de cinco possíveis cenários de ruptura, a mancha de inundação, o tempo de chegada e a altura da onda de lama prevista em cada cenário. Contudo, a empresa não apresenta quais providências emergenciais concretas são previstas para minimizar impactos em cada cenário. “Cada dia de atraso no cumprimento da decisão liminar pode representar o risco de perda de vidas ou do agravamento de danos ambientais irreversíveis. Não é possível que, em caso de nova ruptura, as ações sejam lentas, insuficientes e descoordenadas como aconteceu quando do rompimento da barragem do Fundão”, afirmam os promotores de Justiça.

Deveríamos ter uma fiscalização e monitoração ambiental mais rigorosa e que realmente cobrasse os recursos necessários para a recuperação. Existem diversas outras barragens de resíduos mal fiscalizadas no Brasil, como a de Paracatu (noroeste de Minas Gerais). Com o objetivo de que desastres naturais não virem a rotina do povo brasileiro devemos amadurecer nossas práticas ambientais. Outros desastres e violações ambientais ao redor do mundo tiveram multas e punições muito superiores a preliminar feita pelo Ministério Público de Minas Gerais contra a Samarco, como podemos ver abaixo:

 – Há 26 anos, o navio Exxon Valdez naufragava e espalhava 42 milhões de litros de petróleo, causando uma das piores marés negras da história do Alasca. O Supremo Tribunal dos EUA pediu 500 milhões de dólares como indenização as vítimas. A Empresa teve que gastar 2 bilhões de dólares (7,6 bilhões de reais) com recuperação e manutenção ambiental. A economia local foi destruída e hoje as praias ainda tem vestígios de hidrocarbonetos, mas diversas espécies sobreviveram ao desastre.

– A petrolífera britânica British Petroleum aceitou pagar aos Estados Unidos a maior punição da história pelo desastre natural causado pela explosão da plataforma Deepwater Horizon no Golfo do México, em 2010. Os 20,8 bilhões de dólares (79,3 bilhões de reais) são referentes a crise econômica e ambiental que foi consequência da liberação de 477 milhões de litros de petróleo na costa.

– No ano passado, 2015 a empresa automobilística Volkswagen foi multada em 18 bilhões de dólares (aproximadamente 68,7 bilhões de reais) por fraudar testes de emissão em 11 milhões de veículos e violar os padrões norte-americanos de ar puro. O valor foi pensado visando zerar o lucro obtido com esse desrespeito à lei. Também serão fatores de julgamento a enormidade da ofensa, a quantidade de danos feitos e a responsabilidade da cooperativa por esses danos. O Ibama multou a Volkswagen Brasil em 50 milhões.

– Também em 2015, a Justiça Federal condenou a Petrobras a pagar multa de R$ 1,4 bilhões por que há 13 anos ocorreu o rompimento de um oleoduto e o vazamento de 4 milhões de litros de óleo nos rios Barigui e Iguaçu. É responsabilidade dela recuperar totalmente o local afetado, descontaminar o solo e monitorar a qualidade do ar e da água, porém ela ainda pode recorrer a decisão.

Mesmo com uma multa proporcional não apagaremos da história brasileira a enxurrada de lama que levou vidas e todo um ecossistema. Todas histórias de famílias que perderam tudo e o sofrimento gerado por erros humanos que precisam ser julgados com justiça e rigor. Devemos lutar para que a recuperação dessa tragédia sirva de exemplo e nunca mais se repita tamanho desrespeito à população brasileira e ao nosso meio ambiente.

Colaborou Pedro Schanzer de Oliveira

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Cidade-jardim é a inspiração do bairro Vila Assunção

O bairro Vila Assunção, localizado na zona sul de Porto Alegre, tem características que o tornam muito especial. O bairro que costeia a margem do Rio Guaíba, tem predomínio de casas, muita área verde e jardins. O rio Guaíba margeia o bairro e contribui para deixar a paisagem mais bucólica. Quem mora por aqui busca qualidade de vida, tranquilidade e maior contato com a natureza, com o rio e com a vegetaçãoO bairro Vila Assunção foi planejado no ano 1937 com um conceito diferenciado,  como uma “cidade-jardim” numa gleba de 130 hectares.

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Vista da Vila Assunção para a cidade de Porto Alegre – Foto: Helena Schanzer

Cidade-jardim” ou “Bairro-jardim” é um bairro planejado segundo o conceito inglês de “Garden-city”  e apresenta praças, parques, intensa arborização em suas calçadas e traçado urbano diferenciado, podendo ser tortuoso, circundado por amplas avenidas.

O desenho das ruas das cidades em geral, até então, tinham um padrão com um traçado tipo “xadrez”, ortogonal. Na “Cidade-jardim“, as ruas começaram a acompanhar o relevo do terreno natural do bairro, que na Vila Assunção é declivoso e montanhoso. Além disto, na “Cidade-jardim” se busca a integração do homem com a natureza. No caso, através de praças, que até então não era comum e nem obrigatório pela prefeitura da cidade. Também foram planejadas servidões que serviam como ligação entre as praças, áreas verdes e as ruas para os pedestres.

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Vila Assunção – praças e área verdes – foto Helena Schanzer

O conceito de cidade jardim foi criado no fim do seculo 19, na Inglaterra, por Ezeneber Howard. A ideia dele era unir o lado bom da área rural com o lado bom da vida urbana. Ou seja, aliar o contato com a natureza com os benefícios  sociais e serviços da vida urbana. Este conceito foi trazido para a Vila Assunção por familias que tinham terras ali e achavam interessante, já na época, este apelo comercial. O urbanista que fez o projeto urbanistico da Vila Assunção foi o engenheiro urbanista  Ruy de Viveiros Leiria e se inspirou em Montevideo, já que ali haviam bairros do tipo cidade-Jardim.

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Praça João Bergmann na Vila Assunção Foto: Helena Schanzer

No bairro Vila Assunção acontece algo interessante: toda a avenida da orla passa na beira da praia do Guaiba e isto é algo raro em Porto Alegre. A maioria da orla está cosntruída e sem contato com o rio. Além da Vila Assunção, outros bairros seguem o conceito de cidade jardim como: Ipanema, Vila Conceição, Pedra Redonda, Espirito Santo, Guarujá e Serraria. Para preservar e recuperar o bairro, existe uma associação dos moradores da Vila Assunção que está preocupada com a especulação imobiliária e o avanço sobre as áreas verdes do bairro.

* Colaborou Arquiteto urbanista André Huyer, especialista em Patrimônio Cultural em Centros Urbanos e Mestre em Planejamento Urbano e Regional.

Veja também:  Jardim, música e poesia no bairro Vila Assunção

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