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No jardim do Lutzenberger habitavam graxaim, tartarugas, sapos e caranguejeiras

O ecologista José Lutzenberger era um defensor ferrenho da natureza. Era apaixonado por plantas e também por animais. Por isto, continuo minha homenagem a ele com o Capítulo 3 dos posts pela Semana do Meio Ambiente. Na entrevista com Lilly Lutzenberger,  filha dele, tive que dedicar um capítulo aos animais. Quando perguntei se o Lutz tinha animais de estimação, descobri que ele adotou gatos, o cachorro Lux, seu companheiro de aventuras,  além de animais bastante diferentes como caranguejeiras, sapos albinos, jabutis*, abelhas-nativas e graxaim.

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Lutzenberger e o aquário dos sapos albinos- Foto:acervo de Lilly Lutzenberger

Veja quem foi o ecologista José Lutzenberger

Conheça o jardim da casa do ambientalista Lutz

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Animais de estimação no jardim: abelhas-nativas – Foto: Lilly Lutzenberger
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Reportagem da Zero Hora de 16.10.1988 Acervo: Lilly Lutzenberger

Acompanhem o relato da Lilly Lutzenberger:

“Desde o começo, sempre houve muitos bichos adotados no jardim, para desespero, primeiro de minha avó, depois de minha mãe, que acabavam tendo que cozinhar e cuidar de todos eles. Até pouco tempo atrás, ainda não existia tanta ração, nem produtos para animais de estimação e a comida para eles precisava ser preparada em casa. Além de uma infinidade de cães e gatos, bichos mais exóticos também povoaram o jardim, todos adotados. No começo da década de 70, meu pai ia seguido ao Zoológico de Sapucaia e de lá às vezes voltava com um filhote de graxaim embaixo do braço. Caçadores matavam a mãe, depois largavam as crias no Zoológico que não sabia o que fazer com tantos filhotes de graxaim… Tudo corria relativamente bem enquanto o bichinho ainda era pequeno, mas, depois que crescia e os instintos selvagens surgiam, começavam os problemas.

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Lutzenberger e o graxaim – Foto: acervo de Lilly Lutzenberger

Tivemos a Lolita, uma femeazinha traumatizada e arisca, que vivia escondida nos arbustos e dois machinhos doidos, sendo que o segundo, ao crescer, se tornou impossível. Um dia, escavou e conseguiu passar por baixo da cerca que separava nosso jardim do terreno de trás e, em tempo recorde, dizimou o galinheiro do vizinho. Era galinha e galo morto por tudo, o vizinho ficou danado e meu pai teve de repor todo o plantel e reforçar a cerca. O endiabrado do graxaim era rápido como um raio e atacava a tudo e a todos. Mordeu feio minha irmã, que naquela época ainda era muito pequena, depois nossa empregada e também uma tia. Depois do terceiro incidente, ninguém além de meu pai se atrevia mais a pisar no jardim. Mas ele defendia seu mascote, alegando que o problema não era dele, mas das mulheres da casa que não o entendiam, nem sabiam como tratá-lo… Até o dia em que, do nada, o graxaim avançou nele e lhe rasgou a mão com os dentes. Em seguida, o graxaim voltou para o zoológico…”

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Animais de estimação no jardim: Jabutis – Foto: Lilly Lutzenberger

“Mais ou menos na mesma época, meu pai também criava uma enorme aranha caranguejeira numa gaiola de pássaros. Felizmente, a aranha era tão grande e gorda que não conseguia passar por entre os barrotes da gaiola. Mas, todos os dias, meu pai a tirava de dentro de seus aposentos e a deixava passear ao longo de seu braço, da mão até o ombro e vice-versa. Hipnotizada, eu assistia ao número enquanto ele tentava me convencer a fazer o mesmo, garantindo que não havia perigo nenhum. Mas eu preferia só olhar. A aranha comia bolinhas de guisado fresco que meu pai amorosamente lhe preparava todos os dias. A gaiola ficava na nossa lavanderia, no andar térreo, e um dia a encontrei devorando um pequeno camundongo. Fiquei impressionada, pensando que meu pai havia aprendido a capturar camundongos vivos para sua protegida. Mas não, o que tinha acontecido é que o imprudente roedorzinho havia entrado na gaiola durante a noite para roubar os restos do jantar da aranha e acabou se transformando no seu café da manhã.Tivemos uma caturrita chamada Zé Carioca que viveu conosco por um bom tempo. Quando chegou, tinha uma asa machucada, não conseguia mais voar, mas aprendeu a abrir e fechar sozinha a portinhola de sua gaiola e, todos os dias, fazia passeios pelo jardim. Até que terminou dentro da barriga de um de nossos gatos.”

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Animais de estimação no jardim: Jabutis – Foto: Lilly Lutzenberger

“Nos anos 80, um dia meu pai voltou de uma viagem ao norte do Brasil com uma grande caixa de papelão. Dentro havia duas dezenas de pequenos jabutis de diferentes espécies. Ele nos explicou que os havia confiscado de alguém que pretendia transformá-los em sopa. Confiscou-os, trouxe para Porto Alegre (de avião!) e largou no jardim. Com o passar dos anos, quase todos morreram por não suportarem o frio de nossos invernos. Mas 3 se adaptaram, cresceram e ficaram enormes, pareciam melancias com patas. Viveram no nosso jardim até poucos anos atrás, quando foram transferidos para o Rincão Gaia, em função das obras de reforma da  Casa Lutzenberger.”

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Sapos albinos  Foto:  Acervo  Lilly Lutzenbeger

“Pouco tempo antes de morrer, ele ainda arrumou um par de sapos aquáticos albinos (Xenopus) e colocou-os dentro de um dos aquários do jardim. Eram brancos e cegos, pareciam fantasminhas vagando pela água. Mas ele os achava maravilhosos e, como não enxergavam, lhes dava comida na boca com uma pinça bem comprida. Meu pai tinha também o hábito de juntar e guardar restos de nossos animais de estimação quando morriam, de bichos mortos e plantas que ele encontrava na natureza. Ossos, cascos de tartaruga, ninhos abandonados, ovos, plumas, peles de cobras e lagartos, sapos secos, cascudos gigantes, asas de borboletas coloridas, conchas, estrelas do mar e restos de corais decoravam seu escritório e o resto casa. Sementes de todo tipo e pedras bonitas também.”

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Composteira no jardim foto: Lilly Lutzenberger

“E havia uma linda composteira no fundo do jardim, alimentada com os restos orgânicos da cozinha e repleta de insetos, tatuzinhos, gordas minhocas e uma infinidade de micro-organismos interessantes que fabricavam um adubo maravilhoso para suas floreiras.” 

Animais de estimação no jardim: abelhas - Foto: Lilly Lutzenberger
Animais de estimação na casa e  jardim: abelhas-nativas – Foto: Lilly Lutzenberger

“Na fachada da casa, numa fenda localizada no canto esquerdo inferior da porta de entrada, se abria, desde sempre, um ninho de abelhinhas do bosque. Ninguém sabe como, nem porque escolheram aquele lugar inóspito para se instalar. Meu pai procurava protegê-las dos constantes ataques e danos que sofriam pela mão das domésticas que as varriam dali sem nem vê-las ou de algum dos tantos mendigos que costumavam pernoitar no vão da porta e as aplastavam sempre de novo. Mas as valentes abelhinhas silvestres, por alguma razão, nunca desistiram daquele lugar. Durante décadas incansavelmente reconstruíram seu ninho devastado, sobreviveram a quase dois anos de pesadas obras de revitalização da Casa Lutzenberger e continuam ali até hoje, diminutas e lindas, demonstrando a nós arrogantes humanos que, apesar das aparências, a força bruta não é o que move o mundo, mas a beleza e a delicadeza.”

Animais de estimação no jardim: abelhas - Foto: Lilly Lutzenberger
Animais de estimação na casa e no jardim: abelhas-nativas – Foto: Lilly Lutzenberger

 

* Corrigido em 4/6/2016 às 0:56 hr

Saiba mais sobre o ecologista  José Lutzenberger  e a sua luta ambiental

Veja a infância do Lutzenberger retratada através de ilustrações de seu pai

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Conheça o incrível jardim do ecologista José Lutzenberger – Capítulo 1

Acho incrível em pleno bairro Bomfim existir um jardim selvagem e cheio de árvores. Perto do Parque da Redenção, raros prédios tem mais do que 1 ou 2 árvores, quando tem! Uma área verde assim só poderia ser o jardim da casa do agronomo ecologista José Lutzenberger. Conversei com a filha dele, Lilly para saber como foi a evolução desta área verde ao longo dos anos. Esta semana, em homenagem a Semana do Meio Ambiente,  farei 3 posts sobre o ambientalista José Lutzenberger: sobre o jardim da casa dele, sobre a infância dele retratada em ilustrações pelo seu pai e sobre os animais de estimação que o Lutz criava.  Me acompanhe!

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José Lutzenberger na sua casa Foto: Lilly Lutzenberger

Saiba Quem foi o ambientalista José Lutzenberger

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Jardim visto de cima foto: Lilly Lutzenberger

A casa foi projetada em 1931 pelo pai de José Lutzenberger, o engenheiro-arquiteto e aquarelista Joseph Lutzenberger. Ficou pronta em 1932 e  Lutzenberger filho e a família se mudaram para lá, quando ele tinha 6 anos de idade.  A casa cumpria as funções de residência e escritório do Joseph Lutzenberger. O escritório ficava no térreo e a família ocupava o primeiro e segundo andares. Na época, o terreno era dividido em duas partes: metade casa e jardim e metade depósito de materiais de construção do Joseph.

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Fachada da casa Foto: Lilly Lutzenberger

 

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Jardim da casa do Lutz hoje, Monsteras   Foto:  Lilly Lutzenberger

Lilly: – “Tanto a Família Lutzenberger (do pai de meu pai – oriundo de Altötting, na Baviera) quanto a Flia. Kroeff (da mãe de meu pai, imigrantes alemães que se estabeleceram em Novo Hamburgo no final de 1854) eram grandes amantes das plantas e da jardinagem. Meu bisavô Joseph Lutzenberger vivia num casarão na praça central de Altötting e tinha um imenso jardim a poucas quadras do centro, onde cultivava suas rosas, pomar, etc. Meu bisavô Jakob Kroeff morava com a familia em Novo Hamburgo numa casa rodeada por um grande e lindo jardim. Por isso, o jardim da Casa Lutzenberger em Porto Alegre foi sempre muito movimentado, pois minha avó e os 3 filhos o utilizavam para jardinar e brincar.”

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Ilustração de Joseph Luzenberger ( pai) de 1934 cedida por Lilly Lutzenberger

Veja post sobre as ilustrações de Lutzenberger que retratam a infância do ambientalista

Como era o jardim no início? Como e quando foram plantadas as árvores?

Lilly:  – “Da vegetação original do jardim praticamente não resta nada. Era um jardim típico da época, com traçado geométrico”.

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Traçado inicial do jardim geométrico pelo arq. Joseph Lutzenberger   Imagem: Lilly Lutzenberger

Lilly: – “Havia duas longas pergolas que percorriam as laterais do jardim. Hoje, resta apenas a da lateral esquerda, a outra desabou nos anos 80. O resto do jardim tinha canteiros retangulares, uma linha de palmeiras ornamentais entre as pérgolas, uma grande floreira circular de três andares que parecia um bolo de noiva ao centro e, nos fundos, árvores frutíferas e um galinheiro. Lembro que, quando meu pai decidiu voltar ao Brasil, em1971, depois de 13 anos trabalhando no exterior, ainda existiam uma goiabeira, um caqui, uma pereira e uma parreira que cobria a pérgola que ruiu nos anos 80. Todas elas morreram ainda nos anos 70 e 80, de velhas e também por falta de luz, uma vez que casa e jardim, com o passar dos anos, foram ficando na sombra por causa dos prédios altos que cresceram ao seu redor. Uma pena. As palmeiras estão lá até hoje, velhinhas e um pouco tristes pela pouca luz. E algumas árvores, hoje imensas, provavelmente plantadas pelo meu pai.”

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Jardim da casa Foto: Lilly Lutzenberger

Lilly: -“No depósito de materiais de construção ao lado, meu pai havia plantado também um abacateiro, o qual sobreviveu em muitos anos às outras frutíferas. Lembro que, até o fim, meu pai cuidou e tratou desta árvore com carinho. Depois de seu falecimento, ela ainda durou alguns anos e morreu também. Apesar de seu grande amor pela botânica e paisagismo, ele pouco cuidou do resto do jardim depois de nosso retorno ao Brasil, por absoluta falta de oportunidade, pois as causas ambientais terminaram por absorvê-lo de forma tal que não lhe sobrava tempo para mais nada.”

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Jardim da casa do Lutz hoje- pergolado antigo Foto: Helena Schanzer

Ele criava algum tipo de planta em especial?

Lilly: – “Durante seus anos no exterior, ele ainda conseguia dedicar-se à botânica. Ao longo de suas numerosas viagens a trabalho, aproveitava para se embrenhar na paisagem e conhecer de perto a vegetação nativa. Ao mesmo tempo em que ficava maravilhado com a beleza e diversidade dos biomas que encontrava, entristecia-o a velocidade vertiginosa com que tudo ia sendo destruído pelo homem. Pesquisava, fotografava e recolhia sementes e mudas por onde passava, as quais depois cultivava em casa, na sacada quando morávamos em apartamento e no jardim quando em casa.”

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Jardim da casa Foto: Lilly Lutzenberger

Lilly: – “Ele também se correspondia e trocava idéias, teorias, sementes e mudas com botânicos e colecionadores do mundo inteiro. Inclusive, existe uma euforbiácea venezuelana que leva seu nome – Euphorbia lutzenbergeriana Croizat.  Sua paixão eram as plantas de climas e regiões áridas (cactáceas e suculentas em geral), as plantas aquáticas e as carnívoras. Ele sempre tinha vasos com cactus, suculentas e carnívoras nos lugares mais bem iluminados da casa e do jardim e um que outro aquário. Aqui em Porto Alegre, chegou a ter dois grandes no jardim, cheios de plantas aquáticas.”

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Jardim da casa atualmente Foto: Helena Schanzer

“Infelizmente, no Brasil, sua vida foi ficando cada vez mais agitada e estressante e seu tempo cada vez mais escasso, obrigando-o a desatender seu jardim. Mas ele acreditava que um dia voltaria a ter tempo suficiente de retomá-lo. E queria fazer isso sozinho, com suas próprias mãos. Temia delegar essa tarefa aos jardineiros locais que, segundo ele, além de não entenderem nada do assunto, careciam de sensibilidade. Ele os chamava de “demolidores de plantas”, principalmente aqueles terríveis encarregados da poda e manutenção de nossas árvores urbanas. Por isso, por mais que seu jardim estivesse em estado calamitoso, ele não permitia que ninguém tocasse em uma única folha sequer sem seu acompanhamento pessoal. Infelizmente, os anos foram passando e o jardim se deteriorando sem que pudesse voltar a dar-lhe a devida atenção. Assim, ao longo de 3 décadas de quase total abandono, o mesmo transformou-se numa pequena selva virgem.”

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Jardim da casa atualmente Foto: Helena Schanzer

Tu participavas?

Lilly: -“Pouco também, mas brinquei muito naquele jardim. Mais tarde, já grande, muitas vezes ficava encarregada de cuidar das plantas de estimação que ele mantinha na sacada do dormitório e na janela de nossa sala de estar.”

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Cactáceas na janela da sacada da casa do Lutz Foto: Lilly Lutzenberger

Que transformações este jardim já passou? Para que é usado hoje?

O jardim foi muito usado e cuidado desde sua criação até o final dos anos 60, depois foi se assilvestrando até poucos anos atrás. Entre 2010 e 2012, a casa passou por obras de restauro e ampliação para sediar o atual escritório da Empresa Vida e o jardim foi revitalizado pelo paisagista Adolfo Müller.  Em agosto de 2012 se transformou no escritório da empresa Vida.

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Vista do jardim de dentro da casa Foto: Lilly Lutzenberger

Foi feita uma reciclagem?

Sim, mas, como não existem quase registros, sobretudo fotográficos, de como era o jardim original nos anos 30, nem se sabe que aspecto o mesmo teria adquirido caso meu pai tivesse tido a oportunidade de recuperá-lo, optou-se por preservar a maior parte da vegetação já existente por ocasião de sua morte e integrá-la com formas e espécies vegetais que correspondessem o mais fielmente possível aos conceitos de paisagismo e jardinagem que ele defendia.

Reciclagem da casa Foto: Lilly Lutzenberger

É tombado?

A pedido de suas proprietárias, a Casa Lutzenberger foi tombada em 2012.

O jardim também?

Creio que não, não tenho certeza, mas as árvores grandes que nele se encontram estão protegidas, não podem ser cortadas.

Dá muito trabalho cuidar do jardim?

Como o jardim foi remodelado de modo a preservar ao máximo a configuração que foi deixada pelo meu pai – assilvestrado por força das circunstâncias – ele não dá muito trabalho, pois tem muitas árvores, muita sombra e pouca grama.

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Jardim da casa do Lutzenberger Foto: Helena Schanzer

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José Lutzenberger foi um ecologista pioneiro e apaixonado por plantas carnívoras

No Dia Mundial do Meio ambiente, 5 de junho, farei uma homenagem ao pioneiro da defesa do meio ambiente no Brasil: José Lutzenberger. Engenheiro agrônomo formado na UFRGS, foi um dos fundadores na década de 70 da primeira ONG do país dedicada à natureza: a AGAPAN- Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural.

Foto: Common Wikimedia  - José Lutzenberger no seu escritório
Foto: Wikimedia.org  – José Lutzenberger no seu escritório

A sede da AGAPAN era no bairro Bomfim, em Porto Alegre e reunia as pessoas preocupadas na época com a poluição ambiental e o desmatamento. O ecologista gaúcho recebeu ao longo da vida inúmeras distinções, títulos e prêmios de governos da América Latina e da Europa tamanha a importância do trabalho que desenvolveu. Quando se falava em meio ambiente, o Lutzenberger era sempre uma referência. Era incrível nos debates e tinha argumentos científicos para tudo. Lutz foi um grande ecologista pioneiro na luta contra a poluição industrial e ambiental. Lá pelos anos 80, as indústrias despejavam efluentes dos resíduos industriais no rio Guaíba causando severos danos ambientais. Após anos de briga com estas indústrias, Lutz criou para uma delas, uma central de reciclagem que transformava o resíduo industrial em um composto orgânico rico em nutrientes para as plantas. Hoje, a prática de reciclar os resíduos industriais é comum e obrigatória, mas na época era uma inovação.

Lutzemberger tinha um sítio em Pantano Grande onde cultivava plantas, fazia pesquisas. Onde era uma pedreira abandonada, Lutz criou um lago de águas límpidas. Ali ele tinha uma estufa com várias plantas carnívoras de diferentes espécies. Ele era apaixonado por plantas carnívoras. Em um workshop que fiz no sítio quando ele ainda vivia, fotografei a estufa e as diferentes espécies de plantas carnívoras que ele cultivava ali.

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Foto: Helena Schanzer – carnívora Dionaea muscipula na estufa do Lutzenbeger
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Foto: Helena Schanzer –  Estufa de plantas carnívoras no sítio do Lutzenberger – Sarracenia flava
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Foto: Helena Schanzer – Nepenthes sp na estufa do Lutzenberger

As plantas carnívoras são fáceis de cultivar.  Estas plantas gostam da luz solar difusa, solo úmido e se adaptam a ambientes internos desde que bem iluminados e que se mantenha o solo umedecido. As plantas carnívoras são pequenas e delicadas e capturam pequenos insetos ou animais aquáticos microscópicos. Para que uma planta possa ser considerada carnívora, é preciso que ela tenha a capacidade de atrair, prender e digerir formas de vida animais. As plantas carnívoras possuem enzimas que digerem o inseto quando capturado.

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Foto: Pixabay planta carnivora Drosera tentaculata
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Foto:Helena Schanzer – Sarracenia purpurea na estufa do sítio
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Foto: Pixabay planta carnivora Drosera tentaculata

Para mostrar como é possível cultivá-las dentro de casa como planta ornamental, olha a foto abaixo como fica legal em um vaso.

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Foto: Helena Schanzer – planta carnívora Nepenthes sibuyanensis em vaso na sala

Para saber mais sobre José Lutzenberger e a Fundação Gaia veja em http://www.fgaia.org.br